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Como superar uma perda rapidamente?

  • Foto do escritor: Gabriela Vicinanca
    Gabriela Vicinanca
  • há 7 dias
  • 1 min de leitura

Certa vez me perguntaram: como superar uma perda rapidamente? Em um mundo no qual a psiquiatria contemporânea muitas vezes oferece a possibilidade de anestesiar sentimentos, essa pergunta pode parecer bastante promissora. Afinal, sentir parece atrapalhar o ritmo da vida: ficamos menos eficientes, menos produtivos, menos resolutivos. Assim, surge a ideia de que o melhor seria atravessar o luto o mais rápido possível.


Mas o que acontece quando um relacionamento termina e outro começa logo em seguida? Quando não passamos em um concurso para o qual nos dedicamos tanto e seguimos como se nada tivesse sido perdido? Ou quando percebemos mudanças no nosso corpo, mas buscamos apagá-las rapidamente para não entrar em contato com elas?


O luto — seja pela morte de alguém, pelo fim de um relacionamento ou pela queda de um ideal — exige tempo. Exige travessia. Não se trata apenas de deixar algo para trás, mas de dar lugar, em nós, à marca que essa perda inscreve. Quando tentamos seguir como se nada tivesse acontecido, muitas vezes não evitamos o sofrimento — apenas o deslocamos, para que retorne mais adiante, em novas histórias que repetem o mesmo enredo, o mesmo impasse.


A vida não é apenas algo a ser administrado ou resolvido. Ela também precisa ser sentida.


Talvez a psicanálise permaneça como um dos raros espaços em que ainda é possível sustentar essa pausa: um lugar onde aquilo que dói, que falta, que insiste possa encontrar palavras — e onde o sujeito possa, pouco a pouco, fazer algo próprio com aquilo que perdeu.


 
 
 

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